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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A culpa é do Orixa ?

Sempre cruzo com alguns comentários que remetem ao estado de responsabilidade pessoal à relação filial do Orixá, ou seja, são filhas de Iansã, aquelas que atribuem temperamento alterado em função da “mãe”. São filhos de Ogum, briguentos, que apontam o comportamento do “pai”. Filhos de Xangô, aqueles que adoram um rabo de saia (ou mais de um). Filhas de Oxum, as que deságuam em crises de choro, ou que são histéricas. E ainda, temos a figura do raríssimo e implacável filho de Exu. Enfim, muitas são as justificativas perante o “santo”, e geralmente de santo, o filho não tem nada.
Baseado nessas alegações, pergunto:

- E aquele irmão que conheceu a Umbanda anos depois, a quem ele atribuía tais comportamentos?
- Casos mais sérios de desvio de conduta, ou problemas patológicos, a quem atribuo essa filiação?
- O ladrão, o estuprador, o serial killer. Essas peças são filhos de alguém? Posso atribuir tais fatos à “santidade”?

O Umbandista aprende desde cedo, e infelizmente muito rápido, a usar o Orixá como um ponto de apoio para as suas deficiências, assim como as suas dificuldades de se relacionar com o meio. E são essas situações que dão a religião um status de gente estranha; um lugar que ao invés de valorizarmos o Sagrado, criamos condições de fuga diante das fraquezas e dos desequilíbrios da nossa personalidade. Ao invés de ser a religião que ampara, dá sentido e equilibra, se torna à religião do subterfúgio.

O arquétipo do Orixá tem relação com o nosso DNA Divino, no entanto, são as nossas escolhas que fazem a diferença, definindo o que somos e onde precisamos melhorar.

Como filho de Ogum, tenho opções: Posso entender que manter o foco na disciplina e o olho na retidão é um caminho, ou posso abrir a minha mente para brigas e discussões calorosas. Mas ainda sim, consigo perceber que em Ogum, estão as minhas ‘dificuldades’ e a minha via de aprendizado. Logo, toda desculpa ou culpa, não podem estar em Ogum, e sim na minha consciência.

Precisamos observar algumas influências que percorrem o meio religioso da Umbanda, e este texto escrevo para os Umbandistas. Portanto, aqueles que cultuam Orixá por padrões mitológicos ou no senso das diversas Nações, não se encaixam nesse parâmetro!

Entendo Orixá como: A manifestação das qualidades do Pai Supremo. E com isso, não posso atribuir deficiências, limitações e sandices humanas ao Divino! Sendo assim, possamos então olhar para a nossa religião com valores de religiosidade, sem fugas ou desculpas! Que O Sagrado possa exercer o seu papel em nossas vidas, de forma Divina! E que a força dos Orixás possa ser a nossa escola de aprendizado e crescimento!

Axé!

ATO DE REVERÊNCIA AS E Reverencio a natureza,



minha eterna morada
e Mãe de todas as estrelas.
A Natureza que me edifica,
minha luz e minha centelha criadora.
A Natureza do próximo,
que apesar de não se igualar a minha
faz parte do meu ser.
A Natureza do mundo físico,
seus fenômenos e sua vigorosa abundância.
A Natureza etérea,
sua sutil presença e sua luminosidade verdadeira.
Reverencio acima de tudo o Reino do Criador!
Ao Deus e a Deusa que
Governai nossas vidas para a direção solar,
para o caminho de Amor verdadeiro
e da Paz duradoura!
A todos os seres da
natureza:
recebam minha reverencia e devoção!
A Exu, senhor dos limites
e companheiro que nos auxilia no caminhar terreno! Ajuda-me para que eu
consiga cumprir meu
Karma procurando sempre ver o quão há de divino
mesmo nos momentos de escuridão!
Seu chão me dê firmeza para continuar e realizar!
Laroiê Exu Mojubá!
A Ogun,
que sua espada de Luz clareie os caminhos que devo
seguir, que
seu escudo de Fé me proteja ao passar pelas pedras e espinhos do
caminho e que sua Força desbrave em meu ser a determinação e a capacidade
criadora! Guia-me para que meus impulsos sejam como o amor: suave!
Patakorê Ogun! Ogun !
A Oxossi,
que a abundância de Vida presente em seus domínios enriqueça meu coração,
para que eu vislumbre a Natureza Divina em todos os acontecimentos!
Que eu encontre a fartura no fruto do trabalho e do meu esforço!
Que sua totalidade revigore os meus dias e renove minhas esperanças!
Okê arô Odé!
A Ossaim,
que a magia de suas folhas me ajude a encontrar minha magia interna, e
que na natureza onde o senhor busca a cura eu encontre a energia para
viver com vitalidade!
Eu eu Ossaim!
A Xangô,
que a força de seu machado consolidem em meu
coração o respeito as Leis Divinas!
Que eu tenha claro em minha consciência a justiça para que minhas conquistas
sejam verdadeiras!
Me afaste da ilusão dos meus pensamentos, me aproximando do
Reinado de Deus!
Kaô Kabiencile Xangô!
A Iansã,
que sendo senhora dos ventos leve em sua ventania toda a maldade, e traga
na vossa espada o meu auxílio para que eu lute por minha liberdade e conquiste
a felicidade verdadeira!
Ajuda-me a ter a presença de espírito e a força necessária para
entregar as rédeas de minha vida a Deus!
Epárei Oyá Iansã!
A Oxum,
senhora das águas doces, ensina-me a candura para que meu caminhar
seja como o curso de seu rio, suave, entrecortando as pedras e
contínuo, apesar dos obstáculos, para que assim eu chegue aos
meus objetivos delineados.
Rege a fecundação do Amor em meu coração, que eu o cultive
para que possa nascer no mundo mais flores que espinhos.
E que as flores tragam para mim a suavidade da vida!
Oraiê ô Oxum!
A Yemanjá,
que a majestade da vossa presença materna eduque meu espírito!
Me acolha em vossas águas salgadas, levando em suas ondas minhas
lágrimas e trazendo a pérola do sorriso para encantar-me a vida!
Rege o meu lar, governai minha vida e desperte em mim a força do amor
fraternal!
Odoyá Yemanjá!
A Nanã,
que a sabedoria que vos remete a Mãe ancestral, desperte em mim o entendimento
de minhas fraquezas e o reconhecimento de minhas virtudes, compreendendo
minha própria existência.
E que minha existência esteja em contínua renovação, purificando meu espírito
e acendendo a Luz da Vida em meu coração!
Que esteja comigo vossa benevolência!
Saluba Nanã!
A Oxumarê,
que em seus movimentos constantes eu encontre meu próprio ritmo.
Que eu não tema a mudança, pois como
espírito em ascensão, estou em constante
transformação para dar continuidade ao meu potencial Divino!
Auxilia-me para que minhas orações e anseios alcancem os céus
como
as cores do arco-íris!Ru bo boi Oxumarê!
A Obaluaiê,
que a vossa misericórdia me ajude a
desencobrir minhas mazelas e reconhecer
as feridas para que com vosso auxílio eu possa ser curado e restabelecido
pela força do amor humilde.
Que eu possa equilibrar meu ser dual, caminhando assim
para minha união com Deus!
Lhe agradeço!Atotô Obaluaiê!
A Oxalá,
que vosso Amor ilimitado de patriarca do Mundo se estenda a meu espírito que
roga a vossa paz.
Que o sol de vossa presença ilumine minhas esperanças e minhas
forças para que eu alcance as alturas, nunca me esquecendo de olhar para baixo!
Ajuda-me com a vossa certeza para que eu tenha sempre clara
a convicção do poder do Amor de Deus em minha vida!Epa Babá Oxalá!
Com meu coração devoto e meu ser em prece,
reafirmo minhas reverências
e que hoje brilhe mais os astros
para que meus agradecimentos sejam sinceros
a Deus e a Deusa.
Amém!
Muita Luz !
NERGIAS DA NATUREZA
regem todo a Amor existente
e fazem-se Misericordiosos detentores de toda Luz
e da Sabedoria da Libertação!

ALTARES, IMAGENS, TEMPLOS, FÉ E RELIGIOSIDADE

ALTARES, IMAGENS, TEMPLOS, FÉ E RELIGIOSIDADE



Os Altares
Toda religião tem seu altar, onde estão imagens, símbolos, ícones ou elementos indispensáveis à sua liturgia.
Por liturgia, entendam como o conjunto de recursos ou “artigos” indispensáveis às práticas religiosas.
Bom, o fato é que os altares não existem só porque alguém inventou um e depois todos os copiaram, só modificando os elementos distribuídos neles.
Não mesmo, sabem?
Sim, porque nós bem sabemos que um altar tem como principal função a de criar todo um magnetismo de nível terra, através do qual as irradiações verticais das divindades descerão até ele, e a partir dele, continuarão fluindo na horizontal, ocupando todo o espaço destinado às práticas religiosas que serão realizadas diante dele, e em nome das divindades cultuadas e nele assentadas.
Um altar é um ponto de forças religiosas e, se devidamente erigido e fundamentado, através dele as irradiações das divindades alcançarão todos os fiéis postados diante dele.
Nós, ao contemplarmos o altar de um templo de Umbanda Sagrada, vemos imagens de santos católicos, de divindades naturais, de anjos, arcanjos, caboclos, pretos velhos, crianças, sereias, etc.
Para um leigo no assunto, a miscelânea religiosa não tem uma explicação lógica, pois junta elementos de diferentes religiões num mesmo espaço religioso, quando o mais comum é as religiões banirem de seus templos todo e qualquer elemento estranho a ela ou pertencente a outras, certo?
Mas a Umbanda é uma síntese de todas as religiões, e todas reunidas num mesmo espaço religioso.
Portanto, nela estão presentes correntes de espíritos hindus, chineses, persas, árabes, judeus, budistas, dóricos, egípcios, maias, incas, astecas, tupis-guaranis, ... e cristãos!
E cada corrente espiritual se formou sob o manto luminoso da religião, à qual seus membros formaram sua crença no Deus único e nas suas divindades humanizadas, para melhor falarem dele aos seus filhos.
Cada linha de trabalho do Ritual de Umbanda Sagrada é regida por um Orixá intermediador, que também pode ser um espírito ascencionado e assentado nas hierarquias naturais pelos senhores Orixás intermediários, que os tem no grau de seus intermediadores para a dimensão humana da vida, que é onde os seres espiritualizados (nós) vivem e evoluem.
Então os médiuns, todos com alguma formação cristã, colocam Jesus Cristo, um Oxalá intermediário humanizado, como o pontificador de seu altar, distribuindo mais abaixo as imagens dos santos sincretizados com os outros Orixás.
O sincretismo explica o uso de imagens cristãs, e o fato de que muitos espíritos que incorporam nos seus médiuns terem evoluído sob a irradiação do cristianismo as justifica. Assim como a imagem de “caboclos” índios ou soldados “romanos” (linha dórica) são explicadas como sinalizadoras de que ali baixam mentores espirituais cuja formação religiosa processou-se sob a irradiação de outras religiões.
E o uso de cristais, minérios, flores, colares de pedras semipreciosas, armas simbólicas, símbolos mágicos, etc., explica que muitas linhas de forças intermediárias, intermediadoras ou espirituais ali estão representadas, ativadas e prontas para intervirem em benefício de quem for merecedor do auxílio dos espíritos ou dos Orixás.
Os fundamentos religiosos e mágicos de um altar, só mesmo quem o erigiu pode explicá-lo. Mas o fundamento divino que justifica a existência deles nos templos, é esta:
— “Todo altar é um local onde, se nos postarmos reverentes diante dele, estaremos bem de frente e bem próximos de Deus e de suas divindades humanizadas”.
Mas existem altares naturais que são locais altamente magnetizados ou são vórtices eletromagnéticos, cujo magnetismo e energia criam um santuário natural que, se o consagrarem às práticas religiosas, neles as pessoas entrarão em comunhão com as divindades naturais regentes da natureza.
Saibam que o culto junto a elementos da natureza, onde são tidos como potencializadores da fé das pessoas não é um privilégio do Candomblé ou da Umbanda, pois todas as religiões os tem. Vamos a alguns locais:
Islamismo: culto à Caaba ou pedra fundamental da religião islâmica.
Judaísmo: culto à Montanha Sagrada onde Moisés recebeu de Deus os Dez Mandamentos.
Religião Grega: Monte Olimpo.
Taoísmo: Montanhas Sagradas.
Budismo: Montanhas Sagradas.
Hinduísmo: Rio Ganges, e muitos outros pontos da natureza.
Xintoísmo: Monte Fuji (Japão), montanha sagrada e símbolo religioso nacional do povo japonês.
Naturalismo Inglês: Stonehenge, santuário natural construído  por gigantescos monólitos, com datação de uns 3.000 anos antes de Cristo.
Hunas: Havaí, Kilauea, o vulcão sagrado.
Cristianismo: Monte das Oliveiras e a Colina do Gólgota.
Bom, paramos por aqui, pois como viram, toda religião tem seus lugares sagrados ou santos.
Umas vivem a criticar ou renegar as práticas das outras, mas algo superior conduz todas aos seus fundamentos “naturais” onde as pessoas associam locais com poderes supra-humanos e os tornam santuários ou altares a céu aberto, onde cultuam Deus e suas divindades.
A Umbanda, porque derivou dos cultos de nação (Candomblé) e fundamenta-se nos sagrados Orixás, os quais (corretíssimo) regem os elementos e a própria natureza, com a qual são associados, não dispensa seus santuários naturais.
Assim, a montanha é o santuário natural de Xangô e uma pedra-mesa é um altar, onde o oferendam.
Os rios são o santuário de Oxum, e uma cachoeira é um seu altar, onde é oferendada.
O mar é o santuário de Yemanjá, e a praia é seu altar, onde é oferendada.
As matas são o santuário de Oxossi, e um bosque é o seu altar, onde é oferendado.
E com todos os outros Orixás o mesmo acontece, pois são os regentes naturais do nosso planeta e antes de surgir qualquer religião eles já o regiam, e sempre o regerão, assim como nos regerão, pois somos seus filhos naturais.
Portanto, antes de criarem os templos e seus altares, já reverenciavam as divindades e cultuavam o divino diante de seus altares naturais localizados em seus santuários, que é a própria natureza.
As Imagens
As imagens sacras são tão antigas quanto as religiões, e têm o poder de impor um respeito único aos freqüentadores dos templos, onde são colocadas justamente com a finalidade de induzir as pessoas a uma postura respeitosa, silenciosa e reverente.
Saibam que na antigüidade mais remota as pessoas cultuavam os poderes do desconhecido mundo espiritual através da litolatria (culto das pedras tidas como sagradas), da fitolatria (culto à árvores tidas como sagradas), da hidrolatria (culto à rios ou lagos tidos como sagrados), etc.
Uma divindade era identificada com um elemento da natureza, e através dele a cultuavam.
Este hábito era comum a todos os povos espalhados pela terra, ainda na idade da pedra. E com o tempo também foi aparecendo o culto a algumas pessoas tidas como superiores. Só porque realizavam fenômenos mediúnicos ou prodígios magísticos, à volta delas criava-se toda uma mística que, mais dias menos dias, as divinizavam. Então eram “entronadas” como deuses. E seus seguidores, após sua morte, abriam o culto a elas, pois acreditavam que seriam amparados, dando início ao culto às figuras deles entalhadas em pedras ou troncos (totemismo).
Com o tempo as técnicas de entalhe foram sendo aperfeiçoadas e estátuas muito parecidas com os falecidos “incomuns”, começaram a ser feitas em série pelos artesãos de então, surgindo a antropolatria (culto a pessoas tidas como “deuses” ou divinizadas ainda em vida na carne).
Vide Jesus Cristo, Buda, São Francisco, etc., que, ainda encarnados, já eram reverenciados pelos seus seguidores como pessoas portadoras de dons divinos e de mensagens religiosas poderosas.
Saibam que isto é verdade no caso das pessoas em questão, pois Jesus Cristo fundou uma magnífica religião e a tem sustentado com sua mensagem divina e com o poder que manifesta de si mesmo, pois é um genuíno filho unigênito (nascido único) de Deus Pai. E o mesmo se aplica ao Buda, também um filho unigênito de Deus.
Com isso explicado, então que fiquem cientes que o culto ou a postura reverente diante de imagens sacras é um recurso humano muito positivo, pois elas despertam nas pessoas o respeito, a reverência, a fé e a religiosidade. E Deus não pune ninguém por orar ao seu santo e fazer promessas (desde que as cumpra), assim como não vira o rosto se alguém ajoelhar-se diante da imagem de um santo ou de uma divindade para clamar por auxílio, pois ambos respondem, mesmo, a quem tem fé em seus poderes e ajudam segundo o merecimento de quem os evocou. E até realizam milagres, caso o Altíssimo lhes ordene. Certo?
Ou vocês acham que só Jesus Cristo é um Trono de Deus que humanizou-se e espiritualizou-se para melhor se fazer entender pelas pessoas?
Saibam que Deus Pai fala aos homens através dos homens, e também costuma responder aos nossos clamores através de suas divindades, sejam elas naturais ou espiritualizadas.
Os que condenam a idolatria, não fogem à regra e praticam a “símbololatria” (reverência à símbolos sagrados) ou a “verbolatria” (respeito, obediência e sacralização de frases cuja mensagem é religiosa e despertadora da fé dos seus crentes).
As aspas são nossas, pois acabamos de criar estas duas palavras, já que muitos cabalistas crêem, corretamente, no poder dos símbolos sagrados, e muitos crêem no poder de certas frases, mantras, orações, etc.
Saibam que, num determinado nível vibratório, tanto os símbolos sagrados quanto as palavras sacras têm, realmente, ressonância magnética e sonora que ativam mistérios de Deus e poderes de suas divindades.
Logo, caso alguém aprecie as imagens sacras, então não precisa temer a ira divina, pois Deus não mede nossa fé através da forma como a externamos, mas sim através da sua intensidade e do nosso respeito e reverência diante de símbolos sacros.
Além do mais, que diferença há entre uma imagem de Jesus Cristo, que em seu silêncio nos está dizendo tudo o que precisamos ouvir e está nos mostrando em si mesmo tudo o que precisamos ver para segui-lo rumo ao Pai, e a oratória inflamada de um pregador que, brandindo seu livro santo, ameaça seus seguidores com o fogo do inferno caso não sigam à risca o que nele está escrito?
Não sabem?
Bom, então nós respondemos, dizendo isto: uma imagem sacra de Jesus Cristo, no seu silêncio “religioso”, fala ao nosso íntimo e nos faz vibrar amor e fé. Já o pregador inflamado, com seus berros e suas ameaças, apenas desequilibra o emocional de quem o ouve, e com seus gestos radicais apenas desperta o medo do inferno, mas não o verdadeiro amor a Deus ou ao seu filho unigênito, o nosso amado mestre Jesus.
Saibam que quem realmente ama Deus e tem fé no seu amparo divino não teme o diabo. Mas quem vive chamando Deus para combater os demônios que o apavoram e vivem “tentando-o”, este é só um ser emocionado e desequilibrado que ainda não vibra o verdadeiro amor e a pura fé N’Ele, o nosso Criador.
Os Templos
Os templos são os locais criados pelos homens para cultuarem Deus e suas divindades, pois no decorrer dos tempos, os antigos cultos às divindades naturais foram tornando-se difíceis, justamente por causa do crescimento populacional, que foi deslocando as pessoas para longe dos lugares onde eram cultuadas: — os pontos de forças ou santuários naturais.
Saibam que os povos antigos realizavam seus cultos a céu aberto, onde aconteciam cerimônias e festividades religiosas.
Mas, devido às longas distâncias, não era possível manter uma assiduidade aos cultos, e aí começaram a criar uma alternativa que respondesse aos anseios das pessoas que sentiam a falta do contato freqüente com suas divindades.
E surgiram os templos!
Sim, os templos atendem essa necessidade dos seres, e são tão positivos que onde houver um, ali está um local onde as pessoas se colocam de frente para Deus e suas divindades.
O fato concreto é que um templo é consagrado às praticas religiosas e dentro dele existe um campo eletromagnético que o diferencia, pois este campo é criado pelas irradiações que descem até ele desde o alto do altíssimo, inundando-o de essências religiosas despertadoras da fé.
O campo eletromagnético interno de um templo não deve ser medido ou comparado com o seu espaço físico, pois localiza-se na dimensão espiritual, onde os parâmetros são outros. Assim sendo, saibam que se no espaço físico de um templo cabem cem pessoas, no seu campo eletromagnético caberão todos os espíritos que adentrarem nele. E se entrarem um milhão de espíritos, todos serão acomodados, pois o lado espiritual da vida é regido por outros princípios e outros parâmetros, que são divinos (de Deus).
O campo eletromagnético de um templo expande-se caso precise acomodar mais espíritos, ou contrai-se após recolhê-los e direcioná-los para moradas espirituais localizadas no astral.
Saibam também que todo espírito que for acolhido, religiosamente, no campo de um templo, automaticamente e imediatamente começa a ser amparado pela divindade que rege o templo, e que ativa suas hierarquias para auxiliá-lo, curá-lo, doutriná-lo, e recolocá-lo na senda luminosa da evolução.
Mas, se um espírito não for acolhido religiosamente, então os espíritos guardiões do templo o colocam para fora ou o enviam à alguma faixa vibratória negativa, onde, junto com seus afins, também viciados, terá todo o tempo que precisar para repensar sua vida desregrada.
Por isso a Umbanda adotou o assentamento de Exu e Pombagira no lado de fora dos seus templos: — são estes guardiões cósmicos que enviam para as faixas negativas os espíritos ainda petrificados nos vícios e ainda vibrando sentimentos de ódio, vingança, etc.
Mas, ao par da atração dos espíritos guardiões, todo templo tem o recurso da Lei Maior, que cria no espaço interno dele um pólo magnético bipolar, que puxa para o “alto” os espíritos que já forem merecedores de um amparo efetivo, e envia para o “embaixo” aqueles que precisam descarregar seus vícios emocionais.
Portanto, não importa a que religião um templo pertence, pois nele Deus está presente e ativo, assim como ali está presente uma ou várias de suas divindades. Logo, caso adentrem num, peçam antes licença, e depois comportem-se religiosamente, pois senão estarão profanando um local consagrado e mostrando-se indignos de quem os recebeu com amor e boa vontade, assim como, estarão sendo vistos de frente tanto por Deus e suas divindades, como pelos espíritos que ali atuam em benefício de todos que ali vão, porque crêem no poder da religião que o erigiu como mais uma casa do Pai.
A Fé e Religiosidade
— Fé é o ato de crermos em Deus e suas divindades.
— Religiosidade é a forma como manifestamos nossa fé, que envolve nossos sentimentos íntimos e nossa postura diante de Deus e suas divindades, assim como, diante da vida e de nossos semelhantes.
De nada adianta crermos em Deus se nossa religiosidade é nula ou negativa.
Sim, quantos não têm fé na existência de Deus e de suas divindades, e crêem que atuam em nossa vida e em nosso favor nos momentos difíceis, mas só buscam esse amparo divino quando chegam ao desespero?
Muitos, não?
Pois é. Estes tem fé, mas não a cultivam com uma religiosidade em suas vidas e suas posturas no dia-a-dia.
Saibam que fé é a crença no poder divino. Já a religiosidade, é o ato de trazermos para nossa vida e nosso dia-a-dia o comportamento e a postura preconizados como qualidades superiores pela nossa religião e sua doutrina.
Se nossa doutrina prega que somos filhos de um mesmo pai (Deus), então o nosso comportamento diante de nossos semelhantes deve pautar-se por este sentimento fraterno que congrega e irmana os seres. E nossa postura diante de um nosso semelhantes deve ser de respeito e de confiança.
A nossa religiosidade nos distingue perante nossos semelhantes e nos qualifica como seres regidos por Deus e suas divindades, e todos esperam de nós uma conduta e uma postura condizente com o que nossa religião prega: — amor e fraternidade para e com nossos semelhantes.
Meditem e reflitam se vossa fé é forte e se vosso comportamente e postura a refletem ou se vossa religiosidade está precisando aperfeiçoar-se e vossa fé está necessitando de um reforço extra, pois está fragilizada pelas vossas dificuldades do dia-a-dia. Extraído do Livro “Doutrina e Teologia de Umbanda” Editora Madras