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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

ATO DE REVERÊNCIA AS E Reverencio a natureza,



minha eterna morada
e Mãe de todas as estrelas.
A Natureza que me edifica,
minha luz e minha centelha criadora.
A Natureza do próximo,
que apesar de não se igualar a minha
faz parte do meu ser.
A Natureza do mundo físico,
seus fenômenos e sua vigorosa abundância.
A Natureza etérea,
sua sutil presença e sua luminosidade verdadeira.
Reverencio acima de tudo o Reino do Criador!
Ao Deus e a Deusa que
Governai nossas vidas para a direção solar,
para o caminho de Amor verdadeiro
e da Paz duradoura!
A todos os seres da
natureza:
recebam minha reverencia e devoção!
A Exu, senhor dos limites
e companheiro que nos auxilia no caminhar terreno! Ajuda-me para que eu
consiga cumprir meu
Karma procurando sempre ver o quão há de divino
mesmo nos momentos de escuridão!
Seu chão me dê firmeza para continuar e realizar!
Laroiê Exu Mojubá!
A Ogun,
que sua espada de Luz clareie os caminhos que devo
seguir, que
seu escudo de Fé me proteja ao passar pelas pedras e espinhos do
caminho e que sua Força desbrave em meu ser a determinação e a capacidade
criadora! Guia-me para que meus impulsos sejam como o amor: suave!
Patakorê Ogun! Ogun !
A Oxossi,
que a abundância de Vida presente em seus domínios enriqueça meu coração,
para que eu vislumbre a Natureza Divina em todos os acontecimentos!
Que eu encontre a fartura no fruto do trabalho e do meu esforço!
Que sua totalidade revigore os meus dias e renove minhas esperanças!
Okê arô Odé!
A Ossaim,
que a magia de suas folhas me ajude a encontrar minha magia interna, e
que na natureza onde o senhor busca a cura eu encontre a energia para
viver com vitalidade!
Eu eu Ossaim!
A Xangô,
que a força de seu machado consolidem em meu
coração o respeito as Leis Divinas!
Que eu tenha claro em minha consciência a justiça para que minhas conquistas
sejam verdadeiras!
Me afaste da ilusão dos meus pensamentos, me aproximando do
Reinado de Deus!
Kaô Kabiencile Xangô!
A Iansã,
que sendo senhora dos ventos leve em sua ventania toda a maldade, e traga
na vossa espada o meu auxílio para que eu lute por minha liberdade e conquiste
a felicidade verdadeira!
Ajuda-me a ter a presença de espírito e a força necessária para
entregar as rédeas de minha vida a Deus!
Epárei Oyá Iansã!
A Oxum,
senhora das águas doces, ensina-me a candura para que meu caminhar
seja como o curso de seu rio, suave, entrecortando as pedras e
contínuo, apesar dos obstáculos, para que assim eu chegue aos
meus objetivos delineados.
Rege a fecundação do Amor em meu coração, que eu o cultive
para que possa nascer no mundo mais flores que espinhos.
E que as flores tragam para mim a suavidade da vida!
Oraiê ô Oxum!
A Yemanjá,
que a majestade da vossa presença materna eduque meu espírito!
Me acolha em vossas águas salgadas, levando em suas ondas minhas
lágrimas e trazendo a pérola do sorriso para encantar-me a vida!
Rege o meu lar, governai minha vida e desperte em mim a força do amor
fraternal!
Odoyá Yemanjá!
A Nanã,
que a sabedoria que vos remete a Mãe ancestral, desperte em mim o entendimento
de minhas fraquezas e o reconhecimento de minhas virtudes, compreendendo
minha própria existência.
E que minha existência esteja em contínua renovação, purificando meu espírito
e acendendo a Luz da Vida em meu coração!
Que esteja comigo vossa benevolência!
Saluba Nanã!
A Oxumarê,
que em seus movimentos constantes eu encontre meu próprio ritmo.
Que eu não tema a mudança, pois como
espírito em ascensão, estou em constante
transformação para dar continuidade ao meu potencial Divino!
Auxilia-me para que minhas orações e anseios alcancem os céus
como
as cores do arco-íris!Ru bo boi Oxumarê!
A Obaluaiê,
que a vossa misericórdia me ajude a
desencobrir minhas mazelas e reconhecer
as feridas para que com vosso auxílio eu possa ser curado e restabelecido
pela força do amor humilde.
Que eu possa equilibrar meu ser dual, caminhando assim
para minha união com Deus!
Lhe agradeço!Atotô Obaluaiê!
A Oxalá,
que vosso Amor ilimitado de patriarca do Mundo se estenda a meu espírito que
roga a vossa paz.
Que o sol de vossa presença ilumine minhas esperanças e minhas
forças para que eu alcance as alturas, nunca me esquecendo de olhar para baixo!
Ajuda-me com a vossa certeza para que eu tenha sempre clara
a convicção do poder do Amor de Deus em minha vida!Epa Babá Oxalá!
Com meu coração devoto e meu ser em prece,
reafirmo minhas reverências
e que hoje brilhe mais os astros
para que meus agradecimentos sejam sinceros
a Deus e a Deusa.
Amém!
Muita Luz !
NERGIAS DA NATUREZA
regem todo a Amor existente
e fazem-se Misericordiosos detentores de toda Luz
e da Sabedoria da Libertação!

ALTARES, IMAGENS, TEMPLOS, FÉ E RELIGIOSIDADE

ALTARES, IMAGENS, TEMPLOS, FÉ E RELIGIOSIDADE



Os Altares
Toda religião tem seu altar, onde estão imagens, símbolos, ícones ou elementos indispensáveis à sua liturgia.
Por liturgia, entendam como o conjunto de recursos ou “artigos” indispensáveis às práticas religiosas.
Bom, o fato é que os altares não existem só porque alguém inventou um e depois todos os copiaram, só modificando os elementos distribuídos neles.
Não mesmo, sabem?
Sim, porque nós bem sabemos que um altar tem como principal função a de criar todo um magnetismo de nível terra, através do qual as irradiações verticais das divindades descerão até ele, e a partir dele, continuarão fluindo na horizontal, ocupando todo o espaço destinado às práticas religiosas que serão realizadas diante dele, e em nome das divindades cultuadas e nele assentadas.
Um altar é um ponto de forças religiosas e, se devidamente erigido e fundamentado, através dele as irradiações das divindades alcançarão todos os fiéis postados diante dele.
Nós, ao contemplarmos o altar de um templo de Umbanda Sagrada, vemos imagens de santos católicos, de divindades naturais, de anjos, arcanjos, caboclos, pretos velhos, crianças, sereias, etc.
Para um leigo no assunto, a miscelânea religiosa não tem uma explicação lógica, pois junta elementos de diferentes religiões num mesmo espaço religioso, quando o mais comum é as religiões banirem de seus templos todo e qualquer elemento estranho a ela ou pertencente a outras, certo?
Mas a Umbanda é uma síntese de todas as religiões, e todas reunidas num mesmo espaço religioso.
Portanto, nela estão presentes correntes de espíritos hindus, chineses, persas, árabes, judeus, budistas, dóricos, egípcios, maias, incas, astecas, tupis-guaranis, ... e cristãos!
E cada corrente espiritual se formou sob o manto luminoso da religião, à qual seus membros formaram sua crença no Deus único e nas suas divindades humanizadas, para melhor falarem dele aos seus filhos.
Cada linha de trabalho do Ritual de Umbanda Sagrada é regida por um Orixá intermediador, que também pode ser um espírito ascencionado e assentado nas hierarquias naturais pelos senhores Orixás intermediários, que os tem no grau de seus intermediadores para a dimensão humana da vida, que é onde os seres espiritualizados (nós) vivem e evoluem.
Então os médiuns, todos com alguma formação cristã, colocam Jesus Cristo, um Oxalá intermediário humanizado, como o pontificador de seu altar, distribuindo mais abaixo as imagens dos santos sincretizados com os outros Orixás.
O sincretismo explica o uso de imagens cristãs, e o fato de que muitos espíritos que incorporam nos seus médiuns terem evoluído sob a irradiação do cristianismo as justifica. Assim como a imagem de “caboclos” índios ou soldados “romanos” (linha dórica) são explicadas como sinalizadoras de que ali baixam mentores espirituais cuja formação religiosa processou-se sob a irradiação de outras religiões.
E o uso de cristais, minérios, flores, colares de pedras semipreciosas, armas simbólicas, símbolos mágicos, etc., explica que muitas linhas de forças intermediárias, intermediadoras ou espirituais ali estão representadas, ativadas e prontas para intervirem em benefício de quem for merecedor do auxílio dos espíritos ou dos Orixás.
Os fundamentos religiosos e mágicos de um altar, só mesmo quem o erigiu pode explicá-lo. Mas o fundamento divino que justifica a existência deles nos templos, é esta:
— “Todo altar é um local onde, se nos postarmos reverentes diante dele, estaremos bem de frente e bem próximos de Deus e de suas divindades humanizadas”.
Mas existem altares naturais que são locais altamente magnetizados ou são vórtices eletromagnéticos, cujo magnetismo e energia criam um santuário natural que, se o consagrarem às práticas religiosas, neles as pessoas entrarão em comunhão com as divindades naturais regentes da natureza.
Saibam que o culto junto a elementos da natureza, onde são tidos como potencializadores da fé das pessoas não é um privilégio do Candomblé ou da Umbanda, pois todas as religiões os tem. Vamos a alguns locais:
Islamismo: culto à Caaba ou pedra fundamental da religião islâmica.
Judaísmo: culto à Montanha Sagrada onde Moisés recebeu de Deus os Dez Mandamentos.
Religião Grega: Monte Olimpo.
Taoísmo: Montanhas Sagradas.
Budismo: Montanhas Sagradas.
Hinduísmo: Rio Ganges, e muitos outros pontos da natureza.
Xintoísmo: Monte Fuji (Japão), montanha sagrada e símbolo religioso nacional do povo japonês.
Naturalismo Inglês: Stonehenge, santuário natural construído  por gigantescos monólitos, com datação de uns 3.000 anos antes de Cristo.
Hunas: Havaí, Kilauea, o vulcão sagrado.
Cristianismo: Monte das Oliveiras e a Colina do Gólgota.
Bom, paramos por aqui, pois como viram, toda religião tem seus lugares sagrados ou santos.
Umas vivem a criticar ou renegar as práticas das outras, mas algo superior conduz todas aos seus fundamentos “naturais” onde as pessoas associam locais com poderes supra-humanos e os tornam santuários ou altares a céu aberto, onde cultuam Deus e suas divindades.
A Umbanda, porque derivou dos cultos de nação (Candomblé) e fundamenta-se nos sagrados Orixás, os quais (corretíssimo) regem os elementos e a própria natureza, com a qual são associados, não dispensa seus santuários naturais.
Assim, a montanha é o santuário natural de Xangô e uma pedra-mesa é um altar, onde o oferendam.
Os rios são o santuário de Oxum, e uma cachoeira é um seu altar, onde é oferendada.
O mar é o santuário de Yemanjá, e a praia é seu altar, onde é oferendada.
As matas são o santuário de Oxossi, e um bosque é o seu altar, onde é oferendado.
E com todos os outros Orixás o mesmo acontece, pois são os regentes naturais do nosso planeta e antes de surgir qualquer religião eles já o regiam, e sempre o regerão, assim como nos regerão, pois somos seus filhos naturais.
Portanto, antes de criarem os templos e seus altares, já reverenciavam as divindades e cultuavam o divino diante de seus altares naturais localizados em seus santuários, que é a própria natureza.
As Imagens
As imagens sacras são tão antigas quanto as religiões, e têm o poder de impor um respeito único aos freqüentadores dos templos, onde são colocadas justamente com a finalidade de induzir as pessoas a uma postura respeitosa, silenciosa e reverente.
Saibam que na antigüidade mais remota as pessoas cultuavam os poderes do desconhecido mundo espiritual através da litolatria (culto das pedras tidas como sagradas), da fitolatria (culto à árvores tidas como sagradas), da hidrolatria (culto à rios ou lagos tidos como sagrados), etc.
Uma divindade era identificada com um elemento da natureza, e através dele a cultuavam.
Este hábito era comum a todos os povos espalhados pela terra, ainda na idade da pedra. E com o tempo também foi aparecendo o culto a algumas pessoas tidas como superiores. Só porque realizavam fenômenos mediúnicos ou prodígios magísticos, à volta delas criava-se toda uma mística que, mais dias menos dias, as divinizavam. Então eram “entronadas” como deuses. E seus seguidores, após sua morte, abriam o culto a elas, pois acreditavam que seriam amparados, dando início ao culto às figuras deles entalhadas em pedras ou troncos (totemismo).
Com o tempo as técnicas de entalhe foram sendo aperfeiçoadas e estátuas muito parecidas com os falecidos “incomuns”, começaram a ser feitas em série pelos artesãos de então, surgindo a antropolatria (culto a pessoas tidas como “deuses” ou divinizadas ainda em vida na carne).
Vide Jesus Cristo, Buda, São Francisco, etc., que, ainda encarnados, já eram reverenciados pelos seus seguidores como pessoas portadoras de dons divinos e de mensagens religiosas poderosas.
Saibam que isto é verdade no caso das pessoas em questão, pois Jesus Cristo fundou uma magnífica religião e a tem sustentado com sua mensagem divina e com o poder que manifesta de si mesmo, pois é um genuíno filho unigênito (nascido único) de Deus Pai. E o mesmo se aplica ao Buda, também um filho unigênito de Deus.
Com isso explicado, então que fiquem cientes que o culto ou a postura reverente diante de imagens sacras é um recurso humano muito positivo, pois elas despertam nas pessoas o respeito, a reverência, a fé e a religiosidade. E Deus não pune ninguém por orar ao seu santo e fazer promessas (desde que as cumpra), assim como não vira o rosto se alguém ajoelhar-se diante da imagem de um santo ou de uma divindade para clamar por auxílio, pois ambos respondem, mesmo, a quem tem fé em seus poderes e ajudam segundo o merecimento de quem os evocou. E até realizam milagres, caso o Altíssimo lhes ordene. Certo?
Ou vocês acham que só Jesus Cristo é um Trono de Deus que humanizou-se e espiritualizou-se para melhor se fazer entender pelas pessoas?
Saibam que Deus Pai fala aos homens através dos homens, e também costuma responder aos nossos clamores através de suas divindades, sejam elas naturais ou espiritualizadas.
Os que condenam a idolatria, não fogem à regra e praticam a “símbololatria” (reverência à símbolos sagrados) ou a “verbolatria” (respeito, obediência e sacralização de frases cuja mensagem é religiosa e despertadora da fé dos seus crentes).
As aspas são nossas, pois acabamos de criar estas duas palavras, já que muitos cabalistas crêem, corretamente, no poder dos símbolos sagrados, e muitos crêem no poder de certas frases, mantras, orações, etc.
Saibam que, num determinado nível vibratório, tanto os símbolos sagrados quanto as palavras sacras têm, realmente, ressonância magnética e sonora que ativam mistérios de Deus e poderes de suas divindades.
Logo, caso alguém aprecie as imagens sacras, então não precisa temer a ira divina, pois Deus não mede nossa fé através da forma como a externamos, mas sim através da sua intensidade e do nosso respeito e reverência diante de símbolos sacros.
Além do mais, que diferença há entre uma imagem de Jesus Cristo, que em seu silêncio nos está dizendo tudo o que precisamos ouvir e está nos mostrando em si mesmo tudo o que precisamos ver para segui-lo rumo ao Pai, e a oratória inflamada de um pregador que, brandindo seu livro santo, ameaça seus seguidores com o fogo do inferno caso não sigam à risca o que nele está escrito?
Não sabem?
Bom, então nós respondemos, dizendo isto: uma imagem sacra de Jesus Cristo, no seu silêncio “religioso”, fala ao nosso íntimo e nos faz vibrar amor e fé. Já o pregador inflamado, com seus berros e suas ameaças, apenas desequilibra o emocional de quem o ouve, e com seus gestos radicais apenas desperta o medo do inferno, mas não o verdadeiro amor a Deus ou ao seu filho unigênito, o nosso amado mestre Jesus.
Saibam que quem realmente ama Deus e tem fé no seu amparo divino não teme o diabo. Mas quem vive chamando Deus para combater os demônios que o apavoram e vivem “tentando-o”, este é só um ser emocionado e desequilibrado que ainda não vibra o verdadeiro amor e a pura fé N’Ele, o nosso Criador.
Os Templos
Os templos são os locais criados pelos homens para cultuarem Deus e suas divindades, pois no decorrer dos tempos, os antigos cultos às divindades naturais foram tornando-se difíceis, justamente por causa do crescimento populacional, que foi deslocando as pessoas para longe dos lugares onde eram cultuadas: — os pontos de forças ou santuários naturais.
Saibam que os povos antigos realizavam seus cultos a céu aberto, onde aconteciam cerimônias e festividades religiosas.
Mas, devido às longas distâncias, não era possível manter uma assiduidade aos cultos, e aí começaram a criar uma alternativa que respondesse aos anseios das pessoas que sentiam a falta do contato freqüente com suas divindades.
E surgiram os templos!
Sim, os templos atendem essa necessidade dos seres, e são tão positivos que onde houver um, ali está um local onde as pessoas se colocam de frente para Deus e suas divindades.
O fato concreto é que um templo é consagrado às praticas religiosas e dentro dele existe um campo eletromagnético que o diferencia, pois este campo é criado pelas irradiações que descem até ele desde o alto do altíssimo, inundando-o de essências religiosas despertadoras da fé.
O campo eletromagnético interno de um templo não deve ser medido ou comparado com o seu espaço físico, pois localiza-se na dimensão espiritual, onde os parâmetros são outros. Assim sendo, saibam que se no espaço físico de um templo cabem cem pessoas, no seu campo eletromagnético caberão todos os espíritos que adentrarem nele. E se entrarem um milhão de espíritos, todos serão acomodados, pois o lado espiritual da vida é regido por outros princípios e outros parâmetros, que são divinos (de Deus).
O campo eletromagnético de um templo expande-se caso precise acomodar mais espíritos, ou contrai-se após recolhê-los e direcioná-los para moradas espirituais localizadas no astral.
Saibam também que todo espírito que for acolhido, religiosamente, no campo de um templo, automaticamente e imediatamente começa a ser amparado pela divindade que rege o templo, e que ativa suas hierarquias para auxiliá-lo, curá-lo, doutriná-lo, e recolocá-lo na senda luminosa da evolução.
Mas, se um espírito não for acolhido religiosamente, então os espíritos guardiões do templo o colocam para fora ou o enviam à alguma faixa vibratória negativa, onde, junto com seus afins, também viciados, terá todo o tempo que precisar para repensar sua vida desregrada.
Por isso a Umbanda adotou o assentamento de Exu e Pombagira no lado de fora dos seus templos: — são estes guardiões cósmicos que enviam para as faixas negativas os espíritos ainda petrificados nos vícios e ainda vibrando sentimentos de ódio, vingança, etc.
Mas, ao par da atração dos espíritos guardiões, todo templo tem o recurso da Lei Maior, que cria no espaço interno dele um pólo magnético bipolar, que puxa para o “alto” os espíritos que já forem merecedores de um amparo efetivo, e envia para o “embaixo” aqueles que precisam descarregar seus vícios emocionais.
Portanto, não importa a que religião um templo pertence, pois nele Deus está presente e ativo, assim como ali está presente uma ou várias de suas divindades. Logo, caso adentrem num, peçam antes licença, e depois comportem-se religiosamente, pois senão estarão profanando um local consagrado e mostrando-se indignos de quem os recebeu com amor e boa vontade, assim como, estarão sendo vistos de frente tanto por Deus e suas divindades, como pelos espíritos que ali atuam em benefício de todos que ali vão, porque crêem no poder da religião que o erigiu como mais uma casa do Pai.
A Fé e Religiosidade
— Fé é o ato de crermos em Deus e suas divindades.
— Religiosidade é a forma como manifestamos nossa fé, que envolve nossos sentimentos íntimos e nossa postura diante de Deus e suas divindades, assim como, diante da vida e de nossos semelhantes.
De nada adianta crermos em Deus se nossa religiosidade é nula ou negativa.
Sim, quantos não têm fé na existência de Deus e de suas divindades, e crêem que atuam em nossa vida e em nosso favor nos momentos difíceis, mas só buscam esse amparo divino quando chegam ao desespero?
Muitos, não?
Pois é. Estes tem fé, mas não a cultivam com uma religiosidade em suas vidas e suas posturas no dia-a-dia.
Saibam que fé é a crença no poder divino. Já a religiosidade, é o ato de trazermos para nossa vida e nosso dia-a-dia o comportamento e a postura preconizados como qualidades superiores pela nossa religião e sua doutrina.
Se nossa doutrina prega que somos filhos de um mesmo pai (Deus), então o nosso comportamento diante de nossos semelhantes deve pautar-se por este sentimento fraterno que congrega e irmana os seres. E nossa postura diante de um nosso semelhantes deve ser de respeito e de confiança.
A nossa religiosidade nos distingue perante nossos semelhantes e nos qualifica como seres regidos por Deus e suas divindades, e todos esperam de nós uma conduta e uma postura condizente com o que nossa religião prega: — amor e fraternidade para e com nossos semelhantes.
Meditem e reflitam se vossa fé é forte e se vosso comportamente e postura a refletem ou se vossa religiosidade está precisando aperfeiçoar-se e vossa fé está necessitando de um reforço extra, pois está fragilizada pelas vossas dificuldades do dia-a-dia. Extraído do Livro “Doutrina e Teologia de Umbanda” Editora Madras

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Catimbó

[DSC03914.JPG]Catimbó[DSC03914.JPG]

Catimbó é uma pratica mágica baseada no Cristianismo de onde apóia toda a sua doutrina religiosa. O Catimbó não inventa Deuses ou os importa da África porque não faz parte das religiões afro-brasileiras. Isto pode parecer polêmico, mas, o Catimbó não é afro, não é Candomblé e não é a Umbanda como se conhece comumente, mas pode ser considerado uma manifestação de Umbanda.
Catimbó não é uma religião ou seita. Podemos de considerá-lo um culto, uma vez que não encontrarmos os elementos estruturados que são característicos, como os fundamentos religiosos próprios, com liturgias e dogmas. O Catimbó se apóia totalmente na religião católica, apesar de guardar um pouco das práticas pagãs, vindas da bruxaria européia.
Ele pode se parecer um pouco com a Umbanda, mas, nem um pouco com o Candomblé. A semelhança com a Umbanda é devido ao trabalho com entidades incorporadas. Entretanto, os Mestres do Catimbó possuem uma teatralidade de incorporação muito típica e discreta, e o Catimbó esta longe do “ trabalho de palco” da Umbanda. Outra infeliz coincidência é a presença da entidade Zé Pelintra que no Catimbó é dito como mestre e na Umbanda é muito cultuado como Exu e malandro. Catimbó não é a Umbanda que você conhece!
O Catimbó tem uma raiz índia que foi se perdendo com o tempo. Não há dúvida que o Catimbó é Xamanista com muita práticas de pajelança, mas, não é baseados em Caboclos e sim em Mestres, apesar de os Caboclos também terem participação. O Catimbó não é muito diferente ou melhor do que estes cultos que citamos, não podemos dizer inclusive que suas entidades sejam de nível superior, pelo contrário, sob o ponto de vista espírita-kardecista são ainda entidades de baixa energia e que guardam muitas referências com a última vida que tiveram em "terra fria".
No Catimbó faz se o bem, através de curas, problemas sentimentais, mas, também o mal, dependendo da cabeça de que o dirige, infelizmente, como em outras práticas. O Catimbó é influenciado pela feitiçaria européia de onde adotou várias práticas.
O Catimbó é uma reunião alegre e festiva quando em sua forma de roda (ou gira), mas, pela falta da corrente doutrinaria formal vários formatos serão encontrados, dependendo da “ ciência”, vidência, maturidade e ética de quem o dirige e realiza, podendo ser práticas bem soturnas O Catimbó e as religiões Afro-Brasileiras
O Catimbó não está ligado aos Orixás africanos. No Catimbó trabalham os Mestres, que foram pessoas que viveram e ao morrerem se "encantaram". Geralmente os mestres são ex-Catimbozeiros. O Catimbó não era cultuado na África e o Catimbó não cultua os Orixás das nações, de forma que os Mestres não lhes fazem ou devem obediência hierárquica. É claro que se o consulente ou o discípulo já for do Povo de Santo então existe um enredo, fundamento maior que o Catimbó, que deve ser respeitado devido ao nível espiritual maior dos Orixás.
Catimbó não é umbanda e se desenvolveu de forma paralela e independente. O Catimbó encontrou a umbanda nos grandes centros e ao receber pessoas que se desenvolveram na Umbanda, estas podem passar a receber suas entidades também no Catimbó, principalmente os Cablocos e Exus. Pelo mesmo processo no qual as pessoas que atuam na Umbanda vão agregando ao seu ritual prática de outros que eles encontram, o Catimbó foi confundido com a Umbanda.
De fato existem algumas similaridades na forma entre um e outro, mas a essência é outra. Considerar o Catimbó uma forma de umbanda, pode ser uma simplificação grosseira ou até mesmo um preconceito. O Catimbó é uma manifestação puramente Brasileira sem a importação de africanismos.
Mas até certo ponto esta confusão é justificável, ainda mais partindo da base de quem escreve sobre estas manifestações é de grandes centros e nestes locais vai encontrar muitas vezes os mestres misturados com os cablocos e exus de Umbanda.
Mas o Catimbó é bem diferente das religiões afro-brasileiras. Todo o trabalho e a força do Catimbó esta na Fumaça, e nas ervas, sendo o fumo, especialmente preparado, a sua forma primária de trabalho. O Catimbó não "arria" trabalho no chão de a sua magia vai pelo ar, no tempo, junto com sua fumaça. Muitos tem, com razão o que temer do Catimbó, mas, pessoas do bem nunca devem temer a ninguém.
No Catimbó São Pedro é São Pedro e não Xangô. Santo Antônio é Santo Antônio, Santa Terezinha é Santa Terezinha e assim por diante.
O Catimbó cultua ervas, símbolos e santos católicos, mas se tivermos que caracterizar qual é o principal objeto de culto não ha dúvida que são as ervas. O Catimbó tem como principal elemento a árvore da Jurema e todos os Mestres tem um erva de fundamento.
É claro que podem dizer que o Candomblé também é fundamentado em ervas e sem erva não se faz santo, mas, observe que apesar de importante as ervas (Ewé) no Candomblé, estas são um dos elementos que compõe o fundamento de cada Orixá. No Catimbó este é “o elemento” principal.
O Catimbó é o culto à Jurema
O Catimbó é o verdadeiro e único culto a árvore da Jurema.
A jurema é um arvore que floresce no agreste e na caatinga nordestina. Da casca de seu tronco e de suas raízes faz-se uma bebida mágico sagrada que alimenta e dá força aos “ encantados do outro mundo” . Acredita-se também que é essa bebida que permite aos homens entrar em contato com o mundo espiritual e os seres que lá residem, mas o Catimbó existe sem que seja necessário fazer ou beber a Jurema, Catimbó não é Santo Daime. Tal arvore é símbolo e núcleo de várias práticas mágico-religiosas de origem ameríndia. De fato, entre os diversos povos indígenas que habitaram o Nordeste, se fazia e em alguns deles ainda se faz o uso ritual desta bebida.
Este culto se difundiu dos sertões e agrestes nordestinos em direção às grandes cidades do litoral, onde elementos das ouras matrizes étnicas entraram em cena. Desse modo, o símbolo da árvore que liga o mundo terreno ao além, embora amarga (muito amarga...), dá sapiência aos que dela se alimentam, ganha novos significados, surgindo um mito com traços cristãos. Neste sentido a Jurema surge como a árvore que escondeu a “ sagrada família” dos soldados de Herodes, durante a fuga para o Egito, ganhando desde então suas propriedades mágico religiosas.
Onde Jesus descansou,que dá força e “ ciência”,A jurema é um pau sagrado,ao bom Mestre curador.
Ainda nessa perspectiva, juntaram-se na constituição desta forma de religiosidade popular outros elementos de origem européia como a magia e o culto aos santos do catolicismo popular.
Apesar de encontrarmos nos pontos de Umbanda a referência a Jurema é o Catimbó que tem a Jurema como o centro e principal elemento de seu culto. Cultos mágicos assemelhadosPajelança
Não se pode falar em Catimbó sem se referir à Pajelança. Ambos se identificam, muito embora em regiões diferentes. A Pajelança é uma forma de religião praticada no Amazonas, Pará e Piauí.
Sua prática reúne uma mistura heterogênea de rituais de várias outras religiões. Nela são encontrados ritos de Candomblé, Xangô, Catimb´, Espiritismo, Catolicismo e práticas de origem indígena.
Nas suas reuniões, o Pajé e as demais pessoas presentes bebem o tafiá (cachaça), enquanto o chefe dirigente se prepara para atender aos consulentes.
Após a invocação dos encantados que baixam, é feita a indagação da causa dos males que afligem este ou aquele filho. É também procurada a puçanga (receita) indicada para cada caso.
Os encantados que receitam, geralmente, são almas de animais que encarnam no Pajé. Caso oesse encantado não conheça o remédio eficaz, indica qual o meio a seguir.
O pajé sua sempre na mão o maracá e um feixe de plumas de ema. O único instrumento musical usado na Pajelança é o maracá que se transformam em instrumento mágico quando manejado por ele. Toré
O Toré de origem ameríndia, onde as pessoas buscam remédios para sua doenças, procuram, conselhos com os cablocos que baixam. O Mestre defuma receita aconselha. Certamente é o mesmo Catimbó dos arredores dos hrandes cenros nordestinos, onde destituídos de melhores pndições financeiras procuram-no como oráculo, para minorar seus penares e desditas.
No Toré não são invocados espíritos brancos, isto é, espíritos de pessoas que morrera. No Toré baixam só caboclos e tmbém alguns juremados. Juremado é o que está nos ares, quado ainda vivo bebeu jurema ou ao morrer estava sob uma juremeira. O juremado é um espírito em caboclizaçãoo que o torna não perigoso.
Terecô
È a denominação dada à religião afro-brasileira tradicional de codó. Além de muito difundido em outras cidades do interior e na capital maranhense, o terecô é também encontrado em outros estados da federação, integrado ao tambor-de-mina ou a umbanda.
Em Codó tanto no passado como na atualidade alguns terecozeiros ficaram também famosos realizando trabalhos de magia por solicitação de clientes ávidos por vingança, de políticos ou de pessoas dispostas a pagar por eles elevadas somas o que lhe valeu fama de terra do feitiço. Afirma-se que neste trabalhos e práticas terapêuticas os terecozeiros associam à sabedoria herdada de velhos africanos entos indígenas, práticas do Catimbó e da feitiçaria européia e que também apóiam no tambor-de-mina, na umbanda e na quimbanda que se encontra em expansão no codó.
Assentamentos
O principal assentamento de uma casa é a Jurema Preta. O correto é a casa ter uma Jurema plantada em seu terreno ou até mesmo dentro da sala de culto. Na falta de condições de se fazer isso então um tronco de jurema, preparado pelo mestre principal da casa deve ser colocado ou “assentado” debaixo da mesa de Jurema, dentro de uma vasilha de barro ou de louça, ficando escondido pela toalha da mesa. O que se coloca nesta vasilha e tronco diz respeito exclusivamente ao mestre da casa
O assentamento individual dos mestres é composto por pincipes e princesas que ficarão sobre a a mesa. As princesas são vasilhas redondas de vidro ou de louça dentro das quais é preparada a bebida sagrada e onde, em ocasiões específicas, são oferecidos aliments ou bebidas aos encantados. Os príncipes são taças ou copos, que normalmente estão cheios com água e eventualmente com alguma bebida do agrado da entidade. É comum ver nas mesas mais elaboradas uma complexa arrumação onde entra na composição príncipes, princesas e troncos.
O príncipe ou princesa é a menor unidade de simbolização de uma entidade espiritual. Todo juremeiro deve ter ao menos um destes dedicados ao seu Mestre e assentado em sua mesa. Contudo de acordo com a disponibilidade financeira, pode-se constituir todo um estado espiritual (conjunto de cidades dominadas por uma determinada entidade). Confecciona-se um estado através do uso de uma princesa tendo ao seu centro um príncipe e em seu derredor mais seis deles. Para complementar este artefato entraria o tronco da árvores sagrada, que pode ficar no centro da mesa ou embaixo dela.
Princesa (bacia de louça) não é colocada diretamente sobre a toalha de mesa e sim numa rodilha de pano não servido, limpo, virgem e são. Diante do Mestre fica um crucifixo, à esquerda a chave de aço (virgem) de qualquer uso, limpinha e reluzente, infalível e indispensável para abrir e fechar as sessões e simbolicamente o corpo dos consulentes. Recorda a bruxaria européia a santa chave do sacrário, furtada para uso no feitiço.
Para alguns é no tronco que estaria o verdadeiro segredo de uma jurema plantada. Portanto eles argumentam que esta deveria estar longe dos olhos dos curioso, normalmente embaixo da mesa ou em algum lugar mais reservado. Como adverte uma das cantigas:
A ciência da jurema,todos querem sabermas é feito casa de abelhas,trabalho que ninguém, vê.
O assentamento de mestres é feito através de 2 caminhos. O primeiro é que geralmente um mestre é assentado em uma arvore ou arbusto próximo a casa do Catimbozeiro. É ai que o mestre é cultuado, na raiz da planta em um processo similar (mas não igual) a um tipo de assentamento de Exu no Candomblé. O mestre está ligado a raiz e a força da folha. O segundo é através das princesas onde é colocao a sua raiz e onde eventualmente serão colocadas oferendas que irão "alimentá-lo", que podem ir de bebidas e fumos, até mesmo a peixes e caças leves. Neste caso este assentamento é feito com a raiz do mestre.
Preparação de Cachimbos
O cachimbo é o instrumentos mágico ritual por excelência do Catimbó. É tão importante quanto o caldeirão e o Athame na bruxaria, o Adjá no Candomblé e a tuia a Umbanda.
A magia do catimbó vai pelo ar, na fumaça. O Catimbó é uma pratica “enfumaçada”. Tudo se resolve na fumaça e o Cachimbo e seu fuma, a marca, são os instrumentos que representam isso.
O cachimbo é elaborado usando materia prima natural. É feito a partir de troncos ou galhos de arvores sendo principalmente da Jurema Preta, mas cada mestre pode pedir um cachimbo de sua arvore-raiz ou arvore-fundamento. O cachimbo é entalhado na madeira sendo na sua forma final tosco, mas, ao mesmo tempo bonito. Não cabe no Catimbó mestres usando os cachimbos comerciais como acontece ne Umbanda com os pretos-velhos. Cachimbo de mestre é feito e não comprado!
A elaboração de um cachimbo não é uma atividades corriqueira sendo que é comum cachimbos que foram feitos por pessoas iniciantes ou sem o poder mágico adquirido para isso se racharem com os primeiros usos. Como todo instrumento sacro fazer um cachimbo requer concentração, reza, o uso de alguma ervas ou mesmo, dependendo o tipo de cachimbo enterrá-lo durante algum tempo junto a raiz de algum árvore, arbusto ou planta que tenha significado com o uso a que se destina ou o mestre que o utilizará.
Cada discípulo do Catimbó poderá ter 2 cachimbos, que serão usados por todos os seus mestres, mas, eventualmente mestres diferentes poderão vir a ter cachimbos diferentes com um mesmo discípulos. Os dois cachimbos são um para o uso de fumaça às direitas e o outro às esquerdas.
Ambos os Cachimbos para poderem adquirir sua finalidade ritual, se transformando assim em um objeto sacro do Catimbó deverão ser consagrados. Este é um ritual simples onde o Mestre principal da casa deve consagrar os cachimbos para o seu uso pelo discípulo no Catimbó, diferenciando assim este cachimbo de um outro comum.
O cachimbo de esquerda por requerer um ritual mais elaborado do que o de direita, bem como um discípulo só poderá ter e usar um cachimbo de esquerda quando tiver maturidade e evolução do seu poder mágico para poder trabalhar com este nível. Um cachimbo de esquerda só é usado em ocasiões especiais e normalmente é feito com secções de galhos ou pequenos troncos de jurema preta, que conservam a casa original e os espinhos, se possível assim obtê-lo.
Como dissemos os cachimbos são especializados. Assim para os trabalhos normal se usa o cachimbo da direita e para as mesas abertas às esquerdas ou quando se trabalha na esquerda, seja mandando ou se defendendo o cachimbo de esquerda é o usado. Existe ainda um cachimbo especial, chamado estrela, que possui 1 caldeira e 7 canudos. É um cachimbo de esquerda e muito forte. Somente discípulos antigos e evoluídos em sua força mágica podem tê-lo.
Os cachimbos são individuais e contém o Axé de cada discípulo e mestre. Não se empresta cachimbo para outros. O Fumo do cachimbo pode ser o elemento de defumação do ambiente dispensando assim o uso de defumadores.
Um cachimbo, sendo um objeto sacro deve ser manuseado e guardado com cuidado. Não se deve emprestar o cachimbo para os outros não se deve deixá-lo em qualquer lugar, normalmente ele estará na mesa de Jurema ou em um saco de pertences, afastado da vista ou da manipulação de outros que não o próprio dono. Cachimbos não devem ser perdidos ou abandonados. Se não se vai usa-lo deve ser “despachado” na mata para se encerrar o seu significado ritual.
O uso dos Cachimbos
O discípulo usa o seu cachimbo para curar doenças, chamar Mestres e mandar os seus feitiços. Neste ponto uma grande diferença dos ritos africanos onde coloca-se o trabalho no chão. No Catimbó ele vai pelo ar na fumaça do cachimbo. O cachimbo é soprado pelo contrário e a fumaça é lançada através do ante-braço direito ou esquerdo queimando por sobre a pele.
Usa-se o cachimbo para mandar uma “fumaça” de esquerda ou direita. Para se mandar uma fumaça usa-se um procedimento simples, mas, ritual. A fumaça é mandada soprando-se o cachimbo ao contrário por sobre o ante-braço. A boca é colocada no caldeirão e supra-se o ar forçando a sua passagem ao contrário de forma que ele saia pelo canudo. O Ar deve sair quente, queimando, no braco e com a mão espalmada, mas, com os dedos juntos se direciona a fumaça.
O processo começa se soprando com o braço apontado para o chão e gradativamente vai se subindo o braço até que ele aponte para o céu. Deve-se iniciar o processo se concentrando no que se quer fazer limpando a mente de todo o resto. Quando se chega ao final, conclui-se batendo o pé esquerdo no chão e dizendo-se o que se quer.
Este processo é feito com o braço esquerdo quando se manda uma fumaça às esquerda e com o braço direito quando se manda uma fumaça à direita. A força do discípulo é medida pela eficiência que a Jurema responde a sua fumaça, ou seja, ao fato da fumaça encontrar o seu destino e provocar o sei efeito. Este processo é feito pelos mestres e também pelos discípulos sem os mestres acostados.
Um bom catimbozeiro pode também mandar uma fumaça de forma mais discreta. Em alguns lugares ou ocasiões não se pode fazer este processo de maneira que existe outra forma mais discreta. Esta consiste de fumando o cachimbo da forma habitual, se soprar a fumaça ao invés de sugá-la. A fumaça vai sair pelo caldeirão do cachimbo. Faz-se isso com mais calma, pensando no que se quer e mandando assim a fumaça ao seu destino. Normalmente se uso para mandar fumaça para pessoas que estão no mesmo recinto e não se quer mostrar que está fazendo isso.
Antes de começar a usar o cachimbo convém fazer um pequeno ritual de abertura. Depois de acendê-lo, Joga-se fumaça para os 4 cantos, iniciando-se, pelo norte e depois oeste, sul e leste saudando os 4 guardiões do tempo. Termina-se jugando fumaça para o centro e acima e pisando-se com o pé esquerdo chamando pelo mestre que se quer ter junto no trabalho.
Usa-se o cachimbo nos processos de cura e de limpeza astral de visitantes. Neste caso usando o mesmo processo de soprar a fumação ao contrário joga-se a fumaça no visitante somente na sua aura (em volta do corpo) e não diretamente nele. O processo começa pelo pé e segue por todo o corpo, por sobre a cabeça até chegar no outro pé. Isto é feito primeiro de frente e depois de costas. Quando é feito de costas, após de circundar toda a pessoa com a fumaça, joga-se fumaça diretamente sobre ela, iniciando do pé, subindo pelas pernas e costas até a cabeça. Termina-se com a mesma batida com o pé esquerdo.O cachimbo pode também defumar ambientes, neste caso, se posiciona no centro do local, com o cachimbo voltado para cima e soprando-se ao contrario, faz-se um circulo completo no ar espalhando a fumaça pelo ambiente a partir do centro.
O catimbozeiro também pode usar o cachimbo para se limpar, se auto-defumar. Neste caso vai soprar ao contrário em circulo, numa espiral, iniciando do seu próprio pé se subindo em sentido anti-horário até fazer um circulo de fumaça por sobre a própria cabeça.
O Cachimbo no Catimbó é como o Igba no Candomblé. É através dele que conversamos com nossos mestres e com a Jurema. Para ser ter força no Catimbó deve-se usar o Cachimbo continuamente, acendê-lo todos os dias à noite em momentos de tranquilidade fumando e conversando mentalmente com os mestres